Como instalar um programa do GitHub sem saber programar
Muitos programas grátis e de código aberto são distribuídos pelo GitHub, um site feito para programadores guardarem e compartilharem código. Você não precisa saber programar para usar o que está lá, mas precisa saber onde clicar, porque a página de um projeto mostra primeiro o código, e não o programa pronto.
Este guia mostra o caminho: onde fica o programa, qual arquivo baixar no seu sistema, o que querem dizer os avisos do Windows e do Mac e quais são os atalhos mais fáceis.
Antes de tudo: o repositório certo
Confira se você está no repositório oficial do projeto, e não numa cópia. Na dúvida, comece pelo site oficial do programa e siga o link dele para o GitHub. O guia Como achar o repositório oficial de um projeto do GitHub e fugir de cópias falsas mostra o que conferir.
Ache a página de Releases
Na página do repositório, o botão verde “Code” e a opção “Download ZIP” baixam o código-fonte, não o programa pronto. Para quem não programa, isso quase nunca é o que você quer.
O programa pronto fica na página de Releases, que é a lista de versões publicadas. Ela aparece na coluna da direita do repositório, com o nome “Releases” e a versão mais recente marcada como “Latest”. Também dá para chegar lá acrescentando /releases ao fim do endereço do repositório.
Dentro de cada versão, desça até a lista “Assets”. Ali estão os arquivos para baixar. Dois deles, “Source code (zip)” e “Source code (tar.gz)”, aparecem em toda versão e são o código-fonte de novo, não o instalador.
Se a versão do topo estiver marcada como “Pre-release”, ela é uma versão de teste, que pode ter erros. Para o dia a dia, prefira a marcada como “Latest”.
Qual arquivo baixar no seu sistema
O nome do arquivo costuma dizer o sistema e o tipo de processador, e o final do nome, a extensão, diz o tipo de arquivo:
- Windows: .exe ou .msi. O .msi é sempre um instalador. O .exe pode ser um instalador ou o próprio programa, que roda sem instalar (às vezes chamado de “portable”). Um .zip com “windows” ou “win” no nome geralmente traz a versão sem instalador: é só extrair a pasta e abrir o programa.
- Mac: .dmg. Abra o arquivo e arraste o app para a pasta Aplicativos. Alguns projetos usam .pkg, que é um instalador com passos, como os do Windows.
- Linux: .AppImage, .deb ou Flatpak. O .AppImage é um arquivo único que roda sem instalar: dê a ele permissão de execução nas propriedades do arquivo e abra. O .deb é o pacote do Debian, do Ubuntu, do Linux Mint e de distribuições parecidas; Fedora e openSUSE usam o .rpm. O Flatpak costuma vir pelo Flathub, que aparece mais abaixo.
Depois do sistema, confira o processador, que também costuma estar no nome do arquivo:
- x64, x86_64 ou amd64: a maioria dos computadores com Windows ou Linux e os Macs com processador Intel.
- arm64 ou aarch64: os Macs com chip da Apple (M1 e os que vieram depois) e alguns notebooks com processador ARM.
- universal: no Mac, serve para os dois tipos.
Ainda em dúvida? O README, o texto de apresentação que aparece abaixo dos arquivos do repositório, costuma ter uma seção “Installation” ou “Download” que diz qual arquivo usar em cada sistema.
Os avisos do Windows e do Mac
Ao abrir pela primeira vez um programa baixado da internet, o sistema pode mostrar um aviso. Isso é comum, e vale entender o motivo antes de decidir qualquer coisa.
No Windows, o SmartScreen, uma proteção do próprio sistema, mostra uma janela azul com o título “O Windows protegeu o computador”. Ela aparece quando o Windows ainda não reconhece o programa: o arquivo é novo, foi baixado por pouca gente ou não tem uma assinatura digital que o sistema conheça. Muitos projetos pequenos de código aberto não pagam por essa assinatura, então o aviso é frequente. Ele não quer dizer que o programa tem vírus, mas também não diz que não tem.
No Mac, o Gatekeeper, a proteção do macOS, pode dizer que o app vem de um desenvolvedor não identificado ou que a Apple não conseguiu verificar se ele está livre de software malicioso. Isso acontece quando o app não passou pela verificação da Apple, chamada de notarização, o que também é comum em projetos pequenos. Às vezes o aviso diz que o app “está danificado”. Isso costuma vir da quarentena que o macOS aplica aos apps baixados da internet que não foram notarizados, e não de um download incompleto. Nesse caso, prefira uma versão notarizada do app, se o projeto oferecer, ou a instalação por um gerenciador de pacotes, como o Homebrew, mais abaixo.
Em nenhum dos dois casos a saída é desligar a proteção do sistema. Antes de seguir, volte um passo e confira a origem:
- o arquivo veio da página de Releases do repositório oficial?
- o nome do arquivo combina com o que o README do projeto manda baixar?
- o projeto comenta esse aviso no README ou nas Issues? Muitos explicam por que ele aparece.
Se alguma resposta for “não” ou “não sei”, pare por aqui: apague o arquivo e procure o programa por um dos caminhos mais fáceis abaixo, ou escolha outro projeto. Se tudo bater, a decisão de abrir é sua, com a origem conferida.
Caminhos mais fáceis
Em vez de procurar o arquivo certo na página de Releases, dá para instalar muitos programas por um gerenciador de pacotes: um catálogo que baixa e instala o programa para você e depois ajuda a mantê-lo atualizado.
- winget, no Windows. Já vem no Windows 11 e nas versões recentes do Windows 10. Você digita um comando no Terminal, como “winget install” seguido do nome do programa. O winget baixa o instalador do endereço registrado no catálogo e confere se o arquivo baixado é o mesmo que foi registrado.
- Homebrew, no Mac. Precisa ser instalado uma vez, seguindo as instruções do site oficial dele. Depois, os apps com janela se instalam com “brew install --cask” seguido do nome.
- Flathub, no Linux. É a principal loja de apps em Flatpak. Em algumas distribuições, como o Linux Mint, ela já aparece na central de programas e instalar é um clique; em outras, você ativa o Flathub uma vez. Em muitos apps, o Flathub mostra um selo de verificado quando quem publica é o próprio projeto.
Esses caminhos não substituem o seu cuidado, mas dão uma segunda referência: o programa está num catálogo conhecido, com a origem à vista.
Quando não há instalador
Nem todo projeto do GitHub é um programa pronto. Muitos são feitos para quem programa: a página de Releases não tem arquivo para o seu sistema, ou nem existe, e o README manda instalar ferramentas como Python, Node.js ou Docker e rodar comandos no terminal. Isso quer dizer que o projeto pede montagem.
Montar não é impossível, mas exige tempo e algum costume com o terminal. Se você só quer usar o programa, vale mais escolher um que já venha pronto.
É para isso que serve a nota de facilidade de cada ficha deste site. Ela diz, sistema por sistema, se basta baixar e abrir ou se é preciso instalar outras ferramentas antes. As letras vão de A, “baixe e abra”, até E, “só para quem programa”.
Para continuar
Para ver só os programas que dá para usar sem montar nada, abra a aba Prontos para usar, no início, e filtre pelo seu sistema. Cada ficha mostra a nota de facilidade, o que mais você precisa instalar e os sinais de risco encontrados.